sexta-feira, 12 de março de 2010

A carta que nunca foi entregue(foi escrita em 12 de agosto de 2009)


Dessa história toda, eu levo um negócio: não vou deixar de me entregar nem de acreditar em ninguém porque você foi imbecil comigo. Não prometo o que não cumpro a mim mesma.
Vou confiar sim, vou me entregar de novo, de novo e de novo porque se apaixonar é sempre bom. Porque a gente fica melhor quando ama. E porque quando me apaixonei por você, me apaixonei de novo por mim. [...]. Renovei todo o meu guarda-roupa, para ser uma nova mulher tanto por fora como por dentro.Me acostumei a ir ao cabeleireiro toda semana, dei um passo rumo à reconciliação com meu pai, parei de relevar algumas coisas… Me tornei uma pessoa melhor porque te amei. Mesmo que eu tenha amado uma fraude. No fim das contas, a única pessoa que perdeu foi você. Eu, bem, eu só ganhei. Fiquei feliz de novo e retomei meus antigos amigos. Pus minha vida em ordem. Porque eu estava feliz, as coisas começaram a acontecer. Eu não me arrependo. Estou ótima, estruturada o suficiente para agüentar ver o castelinho que eu tinha construído em cima de você desmoronar. Se não tivesse te amado, eu ainda estaria enxergando a vida em preto e branco. Foi você quem perdeu, querida. Perdeu alguém que teve coragem o suficiente para mudar tudo por você. E não perdeu só a minha coragem ou a minha pouca cerimônia. Perdeu meu humor, minha companhia de madrugadas,Perdeu nosso sexo .... Perdeu tudo que um dia eu vim a sentir por ti. Não sobrou nada. Nem ódio, nem amor. Nada. Só a impressão de que mereço explicação. Para eu saber desde quando me engana, e em que momentos minha intuição falhou. Foi cruel comigo o que fez. Muito cruel. Mas tu sabe que eu agüento o tranco. Sou feita de uma matéria muito firme. Eu sempre me refaço. Então, só por hoje, vou derramar todas as minhas lágrimas. Vou chegar ao fundo da minha dor. Vou vivê-la toda. E sofrê-la intensamente. Porque me sinto enganada, traída, e morta, de certa forma.
Mas amanhã, porque sempre há um amanhã, eu vou aproveitar o sol, ter um bom dia. vou tomar suco com meus amigos [dei um tempo na bebida, já que você tanto insistiu]. E, finalmente, estreiarei o vestido preto [que comprei pensando em vc]. E quem sabe, numa curva do caminho, na escola, na praça, na livraria,eu não encontre a pessoa certa pra mim,afinal vsê me preparou pra ela. Uma pena que seus olhos não tenham sido capazes de enxergar o quão bem as mentiras que me contou me fizeram. Eu teria te amado por um bom tempo. Porque além de te amar, sentia gratidão por ti. Eu via o quanto o teu ponto de vista, de uma garota [supostamente] bom-caráter podia me melhorar, e já o estava fazendo. Passou o tempo, o caráter evaporou mas eu fiquei. Mais linda do que nunca. Firme. Em pé. Me perguntei, nas últimas horas, em meio ao pranto, quem realmente amei. Quem era você? E só agora percebi: não importa quem eu tenha amado. Só importa que eu tenha sido suficientemente grande para amar. Eu fui maior que tudo isso. Maior do que você e suas mentiras. Porque eu amei. Ainda que não tenha sido amada. Eu amei e isso me fez melhor. Me fez flutuar, escrever, sorrir. Eu vivi a nossa história, embora, nesse exato instante, eu saiba que foi só minha.Você viveu? Você saiu da sua casca e viveu alguma coisa? Porque eu sempre vivi tudo, até a última gota. Eu sangrei; eu chorei; eu sofri; eu amei; eu parti corações…mas eu vivi. Enquanto você contará vantagem para seus amigos sobre suas mentiras e o quanto é bom porque sabe enganar, eu terei uma história de amor [cheia de tentativas] para contar aos meus netos, um dia. É tudo uma questão de ponto de vista. Exatamente isso me faz melhor que você. Eu não me economizo. Viver é entregar-se.

Adeus.

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